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Casas do Bragal: A dedicação aos verdadeiros epicuristas é feita com paixão

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Perante as curvas e contracurvas do outeiro, impera o auxílio do GPS. À chegada ao Casas do Bragal, é visível o frondoso arvoredo em redor do restaurante instalado numa moradia recôndita.

Junto ao terraço, na zona frontal da casa, está a porta envidraçada de acesso ao interior. Em frente, o retrato das atrizes Maria de Medeiros e Uma Thurman, protagonistas do filme “Henry and June”, não passa despercebido. A música anuncia bom gosto.

A escolha das sonoridades é feita por Eugénio Martins, o proprietário do restaurante Casas do Bragal que, gentilmente, convida os clientes a sentar-se. Entrega a carta e retira-se. Feitas as escolhas e anotados os pedidos, os comensais são encaminhados para uma das mesas dispostas no espaço contíguo – separado apenas por um murete e repleto de quadros da autoria do anfitrião –, a qual, minutos antes, fora preparada para os receber. Todos os pratos são servidos a posteriori e o talher substituído com luva branca.

O ritual reproduz o alinhamento feito, em tempos, pelo casal Eugénio Martins e a mulher, a chefe Manuela Cerca, no restaurante homónimo aberto, em março de 2001, na aldeia de João Bragal de Baixo, no concelho da Guarda. Travado o projecto da recuperação desse mesmo lugar, ambos decidiram regressar a Coimbra onde, ainda estudantes na universidade, se conheceram. Assim, no início de 2012, abriram de novo as portas do Casas do Bragal, agora na cidade do rio Mondego.
Na carta podem ler-se os clássicos de então: Arroz de cabidela (pica no chão) (€15), Cabrito assado no forno (€20), Bochechas de porco preto com redução de Vinho do Porto (€18), Bacalhau com broa (€19) ou Açorda de bacalhau com línguas do mesmo (€16). O Risotto de cantarelos com nacos de vitela (€17) é outra das receitas trazidas da Guarda.

É dado início da refeição com as “Coisinhas Boas” (€5). Em boa verdade, são petiscos do perene receituário regional do país. Desta feita, e como o inverno convoca sabores quentes, há Queijo de cabra com compota de pimentos, Pataniscas de bacalhau, Cozido à portuguesa com doce de ovos, Tempura de legumes, Caixinhas de cogumelos e Azeitonas temperadas. O Creme de legumes (€2,5) é outra das sugestões de carta, mas são muitos os apreciadores de Amêijoas à Bulhão Pato (€25) que não deixam passar esta dose de epicurismo à mesa.
Além dos pratos tradicionais portugueses é igualmente evidente a influência da cozinha francesa. Nesta incursão pela cozinha internacional é de ponderar a escolha dos Tornedos Rossini (€30) ou das versões francesa do Bife Wellington (€30) e portuguesa do Pato confitado com trompetas dos mortos (€16).

Mais há para comer neste restaurante, como os Filetes de polvo com arroz de tomate(€18), o Sargo de mar grelhado (€20) ou o Arroz malandro de garoupa de mar e berbigão (€20), enaltecido pelo anfitrião do Casas do Bragal, particularmente, por causa do sabor do molusco neste prato: “Se fosse feito com amêijoa, não seria a mesma coisa.”
Apesar de na carta não constarem sugestões vegetarianas ou vegan, a chefe garante a personalização de pratos com as referidas opções alimentares.“ Também fazemos menu especial para crianças”, salvaguarda Manuela Cerca, que define o Casas do Bragal “um restaurante familiar”.
A carta de vinhos reúne mais de centena e meia de referências, do Douro ao Alentejo, passando por Beira Interior, Dão, Bairrada, Tejo, Lisboa e Península de Setúbal. Para quem preferir vinho a copo, Eugénio Martins tem sempre um trunfo na manga: “Não tenho propriamente o ‘vinho da casa’. Adquiro vinhos para esse efeito”, afirma.

É chegado o momento mais doce. Difícil é a escolha a fazer no buffet de sobremesas (€6) constituído por duas mãos cheias de doces tradicionais. Arroz doce, Leite-creme, Mousse de chocolate, Aletria dourada, Farófias e Pudim da avó Felicidade são algumas das sugestões para fechar a refeição.

O restaurante Casas do Bragal (Rua Damião de Góis, Coimbra. Tel. 918 103 988) está aberto de terça-feira ao jantar a sábado, das 12h30 às 15h00 e das 19h30 às 22h30. Fecha à segunda-feira e à terça, ao almoço. Recomenda-se a reserva.

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